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Resíduo da indústria de alumínio como adsorvente aumenta a eficiência da remoção da cor de efluente têxtil por processo oxidativo avançado (UV/H2O2)

Resumo

Neste trabalho o efeito do adsorvente, um resíduo do processo de filtração do óleo utilizado na laminação de chapas de alumínio, foi estudado no processo de remoção de cor de efluente têxtil antes do tratamento por Processo Oxidativo Avançado (POA) usando ultravioleta e peróxido de hidrogênio (UV/H2O2). O efluente têxtil continha o corante solophenyl red 3BL e aditivos químicos usados comumente pela indústria têxtil. Os experimentos foram realizados utilizando 20 g do resíduo para adsorver a cor de 500 mL do efluente durante 30 minutos, sob agitação de 300 Rpm e pH ajustado para 4 com ácido clorídrico. O efluente foi filtrado em funil de Buckner, centrifugado e o líquido recuperado foi tratado em reator fotoquímico por POA (UV/H2O2). Amostras foram coletadas a cada 30 min até completa remoção da cor do efluente. Realizou-se um processo “controle” empregando apenas POA. A absorbância dos efluentes tratados foram lidas em espectrofotômetro nos comprimentos de onda 280 e 531 nm. Os resultados mostraram que o adsorvente remove a cor do efluente em 95 %. O tempo para completa remoção da cor do efluente reduz-se de 210 min no controle para 120 min no tratamento com adsorvente. Também houve indício de remoção dos compostos aromáticos devido a redução da absorbância em 280 nm. Conclui-se que a adição do adsorvente incrementa a remoção da cor pela redução de 1,5 hora do tempo necessário do tratamento por POA.

Introdução

Os efluentes têxteis representam um problema ambiental crescente para a indústria têxtil, pois possuem muitos tipos de corantes sintéticos, resultando em cores e composições variadas, e são gerados e descartados em grandes quantidades. Os impactos destes efluentes coloridos são negativos para a fotossíntese das plantas e para a vida aquática, devido a redução da penetração da luz nos corpos aquáticos e seu consumo de oxigênio. Portanto, antes de ser descartado, o efluente colorido da indústria têxtil deve ser tratado (HOLKAR et al., 2016). Visando minimizar o contato humano e dos ecossistemas aquáticos aos químicos contaminantes derivados dos efluentes têxteis, Processos Oxidativos Avançados, ou POA, têm sido usados para atenuar contaminantes que não são oxidados durante tratamentos convencionais (GÜYER; NADEEM; DIZGE, 2016).

No que diz respeito ao cenário de competitividade internacional, a indústria têxtil nacional vem procurando investir em pesquisa e desenvolvimento para diversificar seus produtos, diferenciando-se pela qualidade e tecnologia. Assim, estratégias que visem eliminar a utilização de matérias-primas tóxicas, reduzir o consumo de energia no tratamento de águas residuais, aumentar a eficiência da utilização da água, e promover tecnologias sustentáveis, têm sido amplamente empregadas (BASTIAN; ROCCO, 2009).

Nesse contexto, um interesse pelo uso de novos materiais junto ao setor têxtil vem crescendo, o que motiva a investigação destes nos processos de tratamento de efluentes. Nesse sentido, destaca-se a utilização de resíduos da indústria têxtil para o tratamento de efluentes. Um resíduo, até então pouco explorado na indústria têxtil, pode ser reaproveitado como um adsorvente para o tratamento de efluentes. Este resíduo origina-se da filtração do óleo utilizado na laminação de chapas de alumínio. Atualmente o resíduo não possui uso definido, sendo seu tratamento antes do descarte a única alternativa encontrada pela empresa geradora, o que representa um custo importante. Da Silva (2008) comprovou a eficiência de remoção de cor por este resíduo maiores de 80 %, demonstrando sua capacidade adsorção de corantes reativos e direto.

Sabe-se que antes de solucionar a disposição dos resíduos, é necessário administrá-los de acordo com a seguinte lógica: a) prevenção: evitar a sua geração; b) redução: gerar o mínimo possível; c) reaproveitamento: reutiliza-lo no próprio processo que o gerou ou em outro processo, mas sem alteração de suas propriedades físico-químicas; d) reciclagem: transformá-lo de forma a servir de matéria-prima para outro processo distinto daquele que o originou (SILVA, 2011).

Com base nesta lógica, o estudo deste resíduo torna-se justificável. Nesta pesquisa foi proposta a avaliação do efeito do resíduo obtido do processo de filtração do óleo utilizado na produção de chapas de alumínio, visando remoção de cor de um efluente têxtil.

Autores: Ticiane Rossi; Helen Hirose Tanaka; Kellinton Francisco; Caroline Santos Alves de Lima; Vitor Cano; Sirlene Maria Costa e Silgia Aparecida Costa.

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