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Biossólido como componente de substrato para produção de mudas florestais

Publicado em 07/07/2017 às 12:33:30

Resumo

Considerado nas cidades como resíduo sólido altamente problemático, o biossólido proveniente do lodo de esgoto é rico em matéria orgânica e nutrientes, e no Brasil sua destinação comum é o descarte em aterros sanitários. O objetivo desse trabalho foi avaliar diferentes proporções de biossólido como componente de substratos para a produção de mudas de três espécies da Floresta Atlântica, avaliando além de parâmetros morfológicos, o peso e facilidade de transporte das mudas, bem como seu crescimento em campo. O experimento foi composto por quatro tratamentos, tendo como testemunha substrato formado por esterco bovino, solo argiloso e areia, na proporção volumétrica de 40-50-10%. Os demais tratamentos foram compostos por biossólido, solo argiloso e areia nas proporções de 20-70-10%, 40-50-10% e 80-10-10% respectivamente. Avaliou-se o crescimento das mudas em viveiro e sua sobrevivência e o crescimento em campo cinco meses após plantio. O biossólido tem potencial como componente de substrato para a produção de mudas florestais, consistindo em melhor destino final a este resíduo em comparação com a disposição em aterros sanitários. O uso do biossólido pode promover maior crescimento maior das mudas em viveiro, bem como diminuir o peso final das mesmas, facilitando a logística de expedição para o campo. É indicada a aplicação entre 40 a 80% de biossólido na composição do substrato. O plantio em campo demonstrou boa sobrevivência e crescimento das mudas, indicando que todos os substratos foram capazes de produzir mudas adequadas ao plantio. Palavras-chave: Lodo de esgoto; restauração florestal; adubação orgânica; resíduos sólidos.

Introdução

Nas últimas décadas, devido ao acelerado crescimento das cidades brasileiras, agravaram-se problemas ambientais diversos, sendo um dos mais preocupantes o manejo dos resíduos sólidos urbanos, como o proveniente do tratamento de esgoto, denominado lodo de esgoto. A destinação final desse material tem sido um grande desafio, sendo necessário e urgente, aprimorar o seu gerenciamento. Segundo Caldeira et al. (2012) na tentativa de contornar os transtornos causados pela crescente produção de lixo e outros resíduos têm-se buscado estratégias de reutilização, sendo uma das possíveis a reciclagem dessas substâncias em atividades agrícolas ou florestais. O lodo de esgoto, denominado como biossólido após tratamento para estabilização, pode ser utilizado como componente de substrato para produção de mudas florestais, consistindo em alternativa sustentável de disposição final deste resíduo, podendo trazer benefícios tanto para os geradores de lodo, como para os viveiristas.

Considerando o avanço no desmatamento da Mata Atlântica, ocorrido nos séculos passados, existe a necessidade de plantios para aumento da cobertura florestal em todo o bioma. No estado do Rio de Janeiro, segundo o INEA (2015) essa demanda se manifesta por meio de vários processos administrativos que tem como medida mitigadora ou compensatória a obrigação de plantios para restauração florestal. Existe registrado junto ao órgão, área total de 12.265 hectares de compromissos de restauração, além de outros 8.637 hectares em processos pendentes. Para atendimento desta demanda são necessárias mudas florestais nativas em quantidade e qualidade.

A qualidade das mudas florestais é uma característica intimamente relacionada à correta escolha do tipo de recipiente, substrato e manejo durante a formação (CARNEIRO, 1995). No estado do Rio de Janeiro, o recipiente mais utilizado para produção de mudas florestais são os sacos plásticos e a fonte de matéria orgânica mais comum nos substratos dessas mudas é o esterco bovino (SEA, 2010). No entanto, na região metropolitana do estado, a atividade pecuária é escassa, o que dificulta a disponibilidade de esterco, assim, o biossólido pode ser uma boa alternativa como fonte de matéria orgânica e nutrientes na composição de substrato para a produção de mudas florestais nessa região.

O uso do biossólido como adubo orgânico é uma das alternativas mais promissoras para disposição final deste resíduo, em virtude da viabilidade de uso do material para esse fim e da sustentabilidade de tal destinação (BETTIOL; CAMARGO, 2006). A aplicação do biossólido no substrato pode ser benéfico para produção de mudas florestais, já que o mesmo constitui boa fonte de matéria orgânica e nutrientes, obtendo resultados satisfatórios quando usado como componente orgânico em substratos (TELES et al., 1999; TRIGUEIRO; GUERRINI, 2003).

Entre as espécies utilizadas para restauração florestal do bioma Floresta Atlântica, Peltophorobium dubim (Springer.) Taub. (farinha seca), Lafoensia pacari A. St.-Hil. (dedaleiro) e Ceiba speciosa (A. St.-Hil.) Ravenna (paineira) são bastante recomendadas, já que essas espécies produzem grande quantidade de sementes viáveis anualmente, suas mudas são facilmente obtidas no mercado, são fáceis de trabalhar no viveiro e apresentam rápido crescimento durante a fase de estabelecimento do plantio (CARVALHO, 2003). Como nos projetos de restauração normalmente são plantadas várias espécies são importantes mais estudos sobre a respostas das espécies ao biossólido.

O objetivo desse trabalho foi avaliar diferentes proporções de biossólido como componente de substratos para a produção de mudas em sacos plásticos de três espécies florestais da Floresta Atlântica, avaliando além de aspectos morfológicos, o peso e facilidade de transporte das mudas e o seu desenvolvimento em campo.

Autores: Gerhard Valkinir Cabreira; Paulo Sérgio dos Santos Leles; Jorge Makhlouta Alonso; Alan Henrique Marques de Abreu; Nayara Franzini Lopes e Gabriel Rocha dos Santos.

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