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Levantamento sobre o uso das tecnologias sociais hídricas existentes no assentamento corredor, Remígio – PB

Publicado em 28/09/2017 às 13:51:08

Resumo

No Semiárido Brasileiro o acesso à água potável sempre foi um problema que beira a sobrevivência. As fontes hídricas secam no período de estiagem, por conta da intensa evaporação, causadas pela alta insolação e ventos secos e rápidos. Muitos reservatórios que resistem tornam-se feudos políticos e a água, nem sempre potável, passa a ser moeda de troca em muitas comunidades principalmente as de baixa renda. As tecnologias sociais hídricas que se apresentam como estratégicas, democráticas, simples, baratas e replicáveis têm contribuído em muito para modificarem este cenário. Nos Projetos de Assentamentos de Reforma Agrária do Semiárido Paraibano a realidade não é diferente o que obriga a se utilizar de diferentes arranjos com os poderes públicos e, principalmente, com os movimentos sociais e organizações como a Articulação do Semiárido-ASA. A pesquisa objetivou fazer um levantamento sobre as tecnologias sociais hídricas existentes no Assentamento Corredor, Remígio – PB e quais as dinâmicas existentes ao redor delas. De acordo com os resultados obtidos a maioria dos assentados possuem pelo menos dois tipos de tecnologias em pelo menos três arranjos: Cisterna de placas e Cisterna de Calçadão; Cisterna de placas e Cisterna de enxurrada e Cisterna de placas e Barragem subterrânea que atendem a demanda por água um período de seis a doze meses notadamente, para beber, cozinhar e higiene pessoal.

Introdução

A água é um bem fundamental à manutenção da vida no planeta, e sua qualidade está intimamente ligada com o bem estar dos seres vivos e do ambiente no qual estão inseridos. Quando o acesso à água potável se torna insuficiente para a população aumenta o índice da pobreza, das doenças e da fome. A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2001) destacou que todas as pessoas, em quaisquer estágios de desenvolvimento e condições socioeconômicas, têm direito a um suprimento adequado de água.

O Semiárido Brasileiro – SAB é composto por parte de oito estados nordestinos (Piauí; Ceará, Rio Grande do Norte; Paraíba, Pernambuco; Alagoas, Sergipe e Bahia) e parte da região setentrional de Minas Gerais (Sudeste). O SAB possui diversas características climáticas, geomorfológicas, econômicas e sociais peculiares, que resultam numa paisagem marcada pela dificuldade ao acesso à água. Essa região possui um clima marcado pela forte insolação, pela baixa nebulosidade, por elevadas taxas de evaporação, por temperaturas oscilantes e relativamente altas e pelo regime de chuvas marcado pela irregularidade e concentração das precipitações num curto período de tempo (IDENE, 2010).

Na Região Semiárida brasileira os rios são, na maioria, intermitentes e condicionados ao período chuvoso, quando realmente se tornam rios superficiais, ao passo que no período seco parecem se extinguir e na realidade estão submersos nos aluviões dos vales, ou baixadas, compondo o lençol freático já com pouca reserva de água. O clima da região apresenta características específicas, como as altas temperaturas, acima dos 20º C de médias anuais, as precipitações escassas, entre 280 a 800 mm e déficit hídrico (ARAÚJO, 2011).

Na longa estiagem anual, muitas vezes o acesso à água potável se transforma em um problema de sobrevivência. No intuito de amenizar essa situação o Governo Federal criou algumas políticas de desenvolvimento: instituiu em 1909 a Inspetoria de Obras Contra as Secas – IOCS, depois modificada em 1919, para Inspetoria Federal de Obras Contra a s Secas – IFOCS e, em 1946 foi transformada em Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. Uma das alternativas foi à construção de grandes açudes, para tentar minimizar os efeitos da estiagem para a população do Semiárido. No entanto, esta solução hidráulica, não obteve os resultados satisfatórios para o desenvolvimento da região (ARAÚJO et al, 2012).

Para tentar alcançar o desenvolvimento social e econômico do SAB foram desenvolvidas as Tecnologias Sociais Hídricas (TSH), que possuem um baixo custo para as famílias. Os exemplos de projetos mais conhecidos são os programas sociais P1MC – Um Milhão de Cisternas Rurais, e (P1+2) – Uma Terra e Duas Águas. Esses programas foram desenvolvidos pela Articulação no Semiárido – ASA, que é uma rede formada por mais de 750 organizações da sociedade civil que atuam no desenvolvimento e na gestão de políticas de convivência com o Semiárido (ASABRASIL, 2017).

Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo geral, fazer um levantamento do uso das Tecnologias Sociais Hídricas existentes no Assentamento Corredor, Remígio – PB. Tendo como objetivos específicos: Verificar a eficácia dos reservatórios; a finalidade da água em cada residência; levantamento de dados se já ocorreu algum problema com relação à cisterna; e saber qual o tipo de tecnologia social hídrica é mais utilizado pela comunidade.

Autora: Maria Jaqueline da Silva.


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